terça-feira, 20 de setembro de 2011
José Fábio Lana - Fibromialgia
A fibromialgia é uma síndrome clínica, caracterizada por dor crônica generalizada, com causa normalmente atribuída a uma série de fatores ambientais, principalmente o estresse relacionado a aspectos psicossociais e afetivos, podendo ser chamada de “desordem relacionada ao estresse”. Muitos estudiosos afirmam que pacientes com fibromialgia apresentam uma transmissão anormal de estímulos dolorosos, o que resulta em uma amplificação da sensação de dor. Pesquisas recentes têm mostrado que algumas pessoas apresentam predisposição genética ao surgimento e agravamento dos sintomas, o que torna a fibromialgia uma síndrome resultante de um conjunto de fatores.
É frequente a associação da fibromialgia a outras comorbidades como a depressão, ansiedade, fadiga, distúrbios cognitivos, distúrbios do sono, paralisia e dor facial, insuficiência cardiorrespiratória, doenças intestinal e uretral, entre outras que contribuem com o sofrimento e a piora da qualidade de vida desses pacientes.
Em torno de 2% da população geral apresenta fibromialgia, com predomínio entre as mulheres, especialmente na faixa etária de 35 a 60 anos. A prevalência da síndrome aumenta com a idade: ocorre em aproximadamente 1% das mulheres com idade entre 18 e 29 anos e 7% das mulheres de 70 a 79 anos.
Embora seja uma doença reconhecida há muito tempo, a fibromialgia tem sido seriamente pesquisada somente há três décadas e até o momento não existem tratamentos que sejam considerados muito eficazes. É uma síndrome primariamente pesquisada e tratada por reumatologistas, sendo que em 2004 a Sociedade Brasileira de Reumatologia publicou as primeiras diretrizes para a fibromialgia, com o objetivo de direcionar o diagnóstico e o tratamento desta síndrome.
Geralmente, os portadores da fibromialgia se utilizam mais de medicamentos analgésicos e procuram os serviços médicos e de diagnóstico com maior frequência que a população normal, o que representa gastos ao paciente que poderiam ser evitados caso houvesse diagnóstico e tratamento adequados, evitando exames desnecessários e medicamentos inúteis para sua melhora. A fibromialgia deve ser reconhecida como um estado de saúde complexo e heterogêneo, de diagnóstico clínico que pode ser confirmado ainda no início da síndrome, sendo que eventuais exames irão apenas fazer a confirmação diferencial do diagnóstico.
A orientação ao paciente é fator crítico para o controle ideal da fibromialgia. Sua completa compreensão requer uma avaliação abrangente da dor, da função e do contexto psicossocial. Atualmente, há consenso de que a fibromialgia não justifica afastamento do trabalho e a estratégia ideal para o tratamento requer uma abordagem multidisciplinar com a combinação de tratamentos farmacológicos e não-farmacológicos, que terão como função principal amenizar a dor e melhorar os sintomas secundários da doença, trazendo a sensação de bem-estar e favorecendo a melhora da qualidade de vida do paciente.
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